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Desenvolvendo a Antifragilidade no Afroempreendedor Brasileiro

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Desenvolvendo a Antifragilidade no Afroempreendedor Brasileiro

Dá um Google e descubra a diferença técnica entre empreendedor e empresário, e veja onde você se enquadra.

Empreendedor é quem identifica oportunidades e gera riquezas a partir delas. No mundo do trabalho, aquele tipo de pessoa que é capaz de criar uma empresa ou negócio a partir de uma simples ideia.

Empresário, por sua vez, é todo indivíduo que tem competência para perpetuar essa mesma empresa ou negócio.

Diferenças esclarecidas, vamos ao mundo prático do empreendedor que NATURALMENTE tem que gostar de estar “f*did* ferrado”. O que tem de bom, na prática, em ser empreendedor? Que glamour tem em ser empreendedor? Quais as alegrias diárias, o gozo, o reconhecimento, a paz, a realização de empreender? E mais, qual a realização de empreender no Brasil brasileiro, com todas as dificuldades que o estado faz questão de nos impor com os excessos na tributação, regulação e burocracia, além das dificuldades culturais e o nosso fiel parceiro social chamado racismo estrutural, que nos proporcionam diária, cotidiana e pasmem, PERPETUAMENTE? Em resumo, o que tem de bom em carregar o título de empreendedor? Ou, pior, Afroempreendedor??

Como o objetivo do tema é pontuar a realidade de empreender e ao mesmo tempo motivar, mas sem romantizar suas características, vamos discorrer sobre algumas observando como conseguimos atuar na prática.

–Tem iniciativa — Sim, temos muitas iniciativas que sempre são, no mínimo, postergadas e até desativadas pelas circunstancias. Então realizamos a “reiniciativa”.

– É persistente — Somos é muito teimosos. Às vezes por falta de conhecimento, somos apenas teimosos, tendo iniciativas equivocadas. E isso também é bom, mas nos custa mais caro do que custaria para um empresário. De qualquer forma, nosso instinto empreendedor manda que tenhamos mais iniciativas. E lá vamos nós iniciando e reiniciando.

– Planeja suas ações –Quando o mundo real nos permite planejar cada passo e ter as decisões mais assertivas? NUNCA. A gente simplesmente tem que fazer…. e sai fazendo, e sai realizando. Geralmente, 70% dá tudo errado, até mesmo quando temos um “planejamento”. Mas como somos teimosos, “persistimos”… e às vezes persistimos teimando.

– Tem autoconfiança — Na realidade quase nunca. Temos uma crença na ideia, mas duvidamos muito de nós mesmos . Confiamos cegamente é na ideia, e muitas vezes em pessoas erradas, baseando-nos na crença que elas estão crendo como nós. O pouco que planejamos se dá contando com a confiança nos outros, mas com grande dose de falta de autoconfiança.

– É líder — Nem de si mesmo, muito menos de quem estamos crendo que podemos confiar. A autoconfiança que não temos não nos deixa verdadeiramente sermos líderes. Essa atuação como líder vai se desenvolvendo depois de muito tempo de empreendedorismo e geralmente não é no nosso primeiro negócio.

– Age com coragem — Na verdade agimos com loucura achando que estamos liderando algo com coragem. A frase clichê: “Não sabendo que era impossível, foi lá e fez”, cabe na coragem que está no empreendedor que ainda não lidera nada nem ninguém. Na verdade é um louco que empreende.

– Preza pela eficiência — Quando tudo que tiver que ser feito sem eficiência for feito, prezamos e tocamos o negócio com o máximo de eficiência. Quando chegamos nesse ponto, somos quase empresários. Via de regra a “coragem” manda simplesmente liderar algo, sem muita autoconfiança, mas confiando, planejando fazer sem planejamento e persistindo na iniciativa, iniciando e reiniciando quantas vezes por preciso. E nesse processo a eficiência fica de fora até que tenhamos trilhado o caminho das pedras. Empreendedor que é empreendedor, ao se tornar empresário, volta a empreender numa nova ideia, que exige uma nova iniciativa, que exige nova persistência, novos planejamentos, mais autoconfiança do que antes, um novo líder, com outras coragens para atingir eficiência e novamente se tornar empresário. Esse é mais ou menos o ciclo de quem realmente é empreendedor.

Inicialmente toda essa conscientização pode parecer desmotivadora, mas o intuito é exatamente o contrário. É por conta de toda essa realidade que conseguimos avançar enquanto empreendedores e indivíduos. São as dificuldades coletivas e individuais como empreendedores que nos forjam. Com esse ponto de vista podemos tratar do tema central do texto, que poderia também ser seu título: A ANTIFRAGILIDADE DO AFROEMPREENDEDOR BRASILEIRO. Essa antifragilidade é criada durante nosso processo de empreendedorismo, nos molda, e talvez seja a principal razão e a forma de ser um Afroempreendedor no Brasil. Se tratarmos de nossas iniciativas enquanto empreendedores, sem romantismo, mas também sem pessimismos e sem nos focarmos tanto nas dificuldades historicamente impostas pela realidade, acabamos forjados para sermos grandes empresários. Ou talvez aquele perpétuo empreendedor de sucesso, que cria novos negócios sempre que um se torna uma empresa solidificada. Quero propor com essa ideia que, sem romantismo, mas apenas com o necessário foco nas dificuldades, podemos trilhar o caminho do sucesso e do autodesenvolvimento pessoal e empresarial. O conceito da antifragilidade se aplica a nós empreendedores negros, muito antes do que imaginamos. Aliás, antes de inventarem a palavra empreendedorismo, nós já fomos levados a ser antifrágeis. Vamos compreender este conceito e aproveitá-lo toda vez que algumas das características acima se apresentarem na realidade do dia a dia.

Nassim Taleb é um matemático, estatístico e escritor norte-americano, que tem descendência libanesa. Ficou muito rico no mercado de capitais nos EUA por conta de seus conceitos muito bem explicados em quatro livros: “Iludido pelo acaso: A influência oculta da sorte nos mercados e na vida”, “A lógica do Cisne Negro”, “Antifrágil: Coisas que se beneficiam do Coas” e, por último, “Arriscando a própria pele: Assimetrias ocultas no cotidiano”. Mas o que ele tem a ver com toda a nossa problemática como afroempreendedores? Resumidamente, em suas obras, Taleb tenta nos ensinar como nos beneficiarmos de condições muito adversas. Algo que o empreendedor até SABEM na prática, mas os afroempreendedores SENTEM na pele, na história, na cultura, no dia a dia social. Temos as dificuldades que qualquer empreendedor brasileiro tem, mas a nossa história traz um aditivo considerável nessas dificuldades.

O que proponho como empreendedor e consultor é que vejamos nossas históricas dificuldades e desigualdades como os forjadores do nosso sucesso. Que cada dificuldade na batalhe de sermos negros e empreendedores sejam partes da nossa armadura, e a base estrutural do nosso sucesso. Longe de ser “mimimi”, as dificuldades que os clientes me apresentam são legítimas, mas sob outro aspecto são a melhor forma de aprimoramento e desenvolvimento que podemos contar. É necessário passar pelo que passamos por conta da nossa história dos últimos 450 anos? Claro que não. Mas, se passamos, o que fazer com tudo isso? Transformar em forja, degrau, força inesgotável, para além da resistência e resiliência. Sermos negros antifrágeis. Diferentemente da resiliência, que é a capacidade de resistir sem alterar-se diante de uma adversidade, a antifragilidade é forjada porque tiramos proveito justamente das adversidades constantes que nos são impostas. Tiramos proveito do estresse, das dificuldades impostas pelo meio, das situações de risco, insegurança, violência, sofrimentos emocionais e psicológicos, problemas familiares, limitações financeiras, falta de oportunidades, dificuldades para obter educação e formação de qualidade, e até mesmo dos desastres pessoais capazes de mudar o curso de nossas vidas. Tudo isso forja uma pessoa antifrágil, porque a antifragilidade é a capacidade de tirar proveito de qualquer situação adversa, a ponto de desejá-la por saber que ela será o caminho para mais uma grande realização. O afroempreendedor pode usar todas as suas dores para além da resiliência, da resistência e da militância tão necessárias para a superação e conscientização do mal que nos faz o racismo estrutural. Mas nossa história também é uma fonte inesgotável de antifragilidade. A lista quase infinita de dificuldades que nos são impostas historicamente é também uma fonte do nosso poder. Com esse nova abordagem, não proponho que esqueçamos e passemos a desejar todo o mal que o racismo nos infringe, mas apresento uma ferramenta de superação e aproveitamento para o nosso desenvolvimento enquanto indivíduos, povo, raça e, claro, empreendedores.

As nossas dificuldades nos forjam. Podemos abraçá-las e fazer delas nossa principal aliada para a realização de nossos maiores sonhos, realização de um próspero projeto de vida. Onde realizamos com as ferramentas que temos, mesmo que essas ferramentas sejam apenas dificuldades.

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